A história do papel artesanal no Brasil

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Importância do Papel Artesanal

  1. Preservação de Tradições
    O processo de fabricação de papel artesanal é uma arte milenar que remonta a culturas antigas como a chinesa, árabe e egípcia. A prática continua sendo uma forma de preservar tradições e conhecimentos passados de geração em geração. Muitos artesãos ainda seguem métodos tradicionais, mantendo viva a história do papel.

  2. Sustentabilidade
    Em um contexto atual, o papel artesanal é uma alternativa mais ecológica ao papel industrializado, que muitas vezes envolve o uso de produtos químicos agressivos e um alto impacto ambiental. O papel artesanal pode ser produzido de maneira mais sustentável, utilizando materiais reciclados ou fibras vegetais locais. Além disso, a produção artesanal normalmente consome menos energia, visto que os processos são feitos manualmente.

  3. Qualidade e Singularidade
    O papel artesanal tem características que o tornam único. A textura irregular, as imperfeições e as variações de espessura dão a cada folha uma identidade própria, o que é altamente valorizado, especialmente em trabalhos artísticos, convites especiais, livros de luxo e outros itens personalizados. Cada peça de papel artesanal tem uma qualidade que não pode ser replicada em produções em larga escala.

  4. Valorização da Arte e do Trabalho Manual
    A produção de papel artesanal não é apenas um processo técnico; é também uma forma de arte. Artesãos que dominam essa técnica têm a capacidade de criar papel que serve como suporte para diferentes formas de expressão criativa, como caligrafia, pintura e gravura. Isso promove a valorização do trabalho manual e da produção artística autêntica.

  5. Impacto Cultural e Social
    A fabricação de papel artesanal também pode ter um impacto significativo nas comunidades locais, especialmente em regiões onde os recursos naturais podem ser utilizados de forma sustentável. Em muitos lugares, a produção artesanal de papel é uma fonte de renda e também uma forma de fortalecer o turismo cultural, oferecendo experiências educativas sobre o processo e a história do papel.

Considerações Finais

Embora a produção de papel artesanal seja um processo mais demorado e exigente em comparação com a fabricação industrial, ela representa uma abordagem mais cuidadosa e responsável para a criação de papel. Além de seu valor histórico e cultural, o papel artesanal é uma opção moderna e ecológica que destaca a importância da sustentabilidade e da arte no contexto contemporâneo.

Preparando a polpa com holandesa

A holandesa (holander beater) é um equipamento largamente usado em todo o mundo para a preparação da polpa de papel feito à mão, nas técnicas ocidental e oriental. Não está disponível no Brasil, entretanto pode ser construida com orientação de diversos vídeos e tutorias disponíveis on line.

 

O papel feito à mão – Técnica ocidental básica

Neste vídeo a papeleira Cary Morrison mostra a produção de papéis reciclados utilizando os equipamentos dos moinhos profissionais e a mesma manipulação, transferência e secagem. Para a preparação da polpa ela usa um equipamento chamado holandesa (holander beater) que não está disponível no Brasil, onde usamos o pulper, que apresenta o mesmo resultado (para reciclados).

Técnica adaptada do Washi para o Ocidente

Nessa série de 3 vídeos, a artesã (Emily Legleitner – U-M Stamps School of Art & Design) produz papéis de fibra pura utilizando a técnica japonesa de produção do washi apenas na preparação das fibras. Os utensílios e a manipulação de quadro e molde são diferentes, mas o resultado é um papel de grande beleza e pode ser produzido por papeleiros brasileiros sem dificuldade. Um ponto importante que ela aborda é quando utiliza e fala sobre o agente de ligação. Esse agente, no Japão, é a mucilagem obtida na raiz de uma planta chamada tororo-a-oi. Podemos obter essa mucilagem no Brasil, utilizando o quiabo, que é da mesma família do tororo-a-oi. Existe também o agente de formação sintético que é o óxido de polietileno aniônico (POE), encontrado em fornecedores de produtos químicos. Muitos papeleiros utilizam também o produto chado CMC industrial (carboximetilcelulose), facilmente encontrado no mercado brasileiro.  No post “O papel artesanal feito com capim” o papeleiro Cory Morrison mostra como obter essa mucilagem do quiabo, como usá-la e sua função. (Ao rodar os vídeos ative a tradução das legendas).

Washi – O papel japonês feito à mão

O papel washi é um papel tradicional japonês feito à mão, conhecido por sua resistência, leveza e beleza natural. A técnica tem origem há mais de 1.300 anos e é considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2014. O nome “washi” vem de “wa” (japonês) e “shi” (papel), ou seja, “papel japonês”.

Técnica de produção do washi:

A produção do papel washi segue um processo artesanal detalhado, que pode variar levemente entre regiões, mas geralmente inclui os seguintes passos:

Colheita das fibras:
As fibras vegetais usadas vêm de plantas como:

Kōzo (Broussonetia papyrifera, ou amoreira-do-japão)

Mitsumata (Edgeworthia chrysantha)

Gampi (Diplomorpha sikokiana)

Cozimento:
As cascas da planta são retiradas e cozidas em uma solução alcalina (frequentemente com cinzas ou bicarbonato) para amolecer as fibras.

Limpeza das fibras:
Após o cozimento, as fibras são lavadas em água corrente fria e impurezas como cascas e fragmentos escuros são removidas manualmente.

Batida das fibras:
As fibras são batidas com bastões de madeira para se desfazerem em uma polpa fibrosa.

Preparação da polpa:
A polpa é misturada com água e com neri, uma substância viscosa extraída da raiz de uma planta chamada tororo-aoi (Hibiscus manihot). O neri ajuda a suspender uniformemente as fibras na água, facilitando a formação da folha de papel.

Formação da folha:
Com uma forma especial (ver abaixo), o artesão coleta a polpa e a movimenta de forma rítmica para formar uma camada uniforme. Essa etapa é chamada de nagashi-zuki.

Prensagem:
As folhas formadas são empilhadas e prensadas para retirar o excesso de água.

Secagem:
As folhas são coladas sobre tábuas de madeira ou superfícies metálicas e secas ao sol ou em ambientes aquecidos.

Equipamentos utilizados:

Suketa (ou Su and Keta): moldura de bambu com uma tela fina que permite a drenagem da água e formação da folha.

Fun (tanques): grandes tanques de madeira ou metal onde a polpa é misturada com água e neri.

Bastões de madeira (uchibō): usados para bater as fibras.

Prensas manuais: para espremer as folhas recém-formadas.

Placas de madeira ou metal: para a secagem das folhas.

Peneiras tradicionais: feitas com bambu e seda, para manipular a polpa.

Principais regiões produtoras de washi no Japão:

Ogawa e Higashi-Chichibu (Prefeitura de Saitama)

Conhecidos pela produção do Hosokawa-shi, um tipo de washi altamente resistente.

Mino (Prefeitura de Gifu)

Produz o famoso Mino-washi, conhecido por sua leveza e uso em lanternas e portas de papel (shoji).

Echizen (Prefeitura de Fukui)

Uma das mais antigas áreas de produção; conhecida pelo refinado Echizen-washi.

Tosa (Prefeitura de Kōchi)

Especializada em Tosa-washi, papel extremamente fino e translúcido.

Iyo (Prefeitura de Ehime)

Produz o Iyo-washi, utilizado tanto para arte quanto para uso diário.

Essas regiões mantêm vivas as tradições com mestres artesãos que passam os conhecimentos de geração em geração. Hoje, o washi é usado não apenas em caligrafia, pintura e origami, mas também em restaurações, design contemporâneo e produtos de luxo.

O papel washi é um papel tradicional japonês feito à mão, conhecido por sua resistência, leveza e beleza natural. A técnica tem origem há mais de 1.300 anos e é considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2014. O nome “washi” vem de “wa” (japonês) e “shi” (papel), ou seja, “papel japonês”.

Técnica de produção do washi:

A produção do papel washi segue um processo artesanal detalhado, que pode variar levemente entre regiões, mas geralmente inclui os seguintes passos:

Colheita das fibras:
As fibras vegetais usadas vêm de plantas como:

Kōzo (Broussonetia papyrifera, ou amoreira-do-japão)

Mitsumata (Edgeworthia chrysantha)

Gampi (Diplomorpha sikokiana)

Cozimento:
As cascas da planta são retiradas e cozidas em uma solução alcalina (frequentemente com cinzas ou bicarbonato) para amolecer as fibras.

Limpeza das fibras:
Após o cozimento, as fibras são lavadas em água corrente fria e impurezas como cascas e fragmentos escuros são removidas manualmente.

Batida das fibras:
As fibras são batidas com bastões de madeira para se desfazerem em uma polpa fibrosa.

Preparação da polpa:
A polpa é misturada com água e com neri, uma substância viscosa extraída da raiz de uma planta chamada tororo-aoi (Hibiscus manihot). O neri ajuda a suspender uniformemente as fibras na água, facilitando a formação da folha de papel.

Formação da folha:
Com uma forma especial (ver abaixo), o artesão coleta a polpa e a movimenta de forma rítmica para formar uma camada uniforme. Essa etapa é chamada de nagashi-zuki.

Prensagem:
As folhas formadas são empilhadas e prensadas para retirar o excesso de água.

Secagem:
As folhas são coladas sobre tábuas de madeira ou superfícies metálicas e secas ao sol ou em ambientes aquecidos.

Equipamentos utilizados:

Suketa (ou Su and Keta): moldura de bambu com uma tela fina que permite a drenagem da água e formação da folha.

Fun (tanques): grandes tanques de madeira ou metal onde a polpa é misturada com água e neri.

Bastões de madeira (uchibō): usados para bater as fibras.

Prensas manuais: para espremer as folhas recém-formadas.

Placas de madeira ou metal: para a secagem das folhas.

Peneiras tradicionais: feitas com bambu e seda, para manipular a polpa.

Principais regiões produtoras de washi no Japão:

Ogawa e Higashi-Chichibu (Prefeitura de Saitama)

Conhecidos pela produção do Hosokawa-shi, um tipo de washi altamente resistente.

Mino (Prefeitura de Gifu)

Produz o famoso Mino-washi, conhecido por sua leveza e uso em lanternas e portas de papel (shoji).

Echizen (Prefeitura de Fukui)

Uma das mais antigas áreas de produção; conhecida pelo refinado Echizen-washi.

Tosa (Prefeitura de Kōchi)

Especializada em Tosa-washi, papel extremamente fino e translúcido.

Iyo (Prefeitura de Ehime)

Produz o Iyo-washi, utilizado tanto para arte quanto para uso diário.

Essas regiões mantêm vivas as tradições com mestres artesãos que passam os conhecimentos de geração em geração. Hoje, o washi é usado não apenas em caligrafia, pintura e origami, mas também em restaurações, design contemporâneo e produtos de luxo.