Papeleiros no Brasil

No Brasil, existem poucos artesãos dedicados à prática da produção de papel artesanal, entre os quais se destacam os que conseguimos, através de uma pesquisa, as oficinas da listagem abaixo. Prestigiem, visitando e conhecendo seus trabalhos.

Schöpf Papier – Rio de Janeiro, RJ – Especializada na produção de papel reciclado artesanal, a Schöpf Papier utiliza resíduos de papel para criar produtos sustentáveis, promovendo impacto social e ambiental positivo. Schöpf Papier

Arumã Brasil – São Paulo, SP – Produz papel reciclado artesanalmente a partir de materiais como sulfite, revistas e embalagens, além de oferecer produtos como papel semente e lápis semente, incentivando o contato com a natureza. Arumã Brasil

Moinho Brasil – São Paulo, SP – Desde 1985, a Moinho Brasil fabrica papéis artesanais a partir de resíduos de papel e fibras vegetais, como bananeira e cana-de-açúcar, com foco em sustentabilidade e design brasileiro. Moinho Brasil

Papel do Quintal – Boiçucanga, SP – Ateliê que produz papel artesanal com fibras naturais da Mata Atlântica, como bananeira e helicônia, utilizando apenas rejeitos e podas de jardins, respeitando o ciclo natural das espécies. papel-do-quintal

Papel Semente – São Paulo, SP – Empresa B certificada que fabrica papel artesanal plantável, incorporando sementes de flores e hortaliças, permitindo que o papel, após o uso, possa ser plantado e se transforme em plantas. Papel Semente

Armazém das Oficinas – Campinas, SP – Projeto social que envolve cerca de 20 artesãos na produção de papel artesanal reciclado, flores e acessórios exclusivos, promovendo inclusão social e geração de renda. Armazem das Oficinas

Miriam Pires Papéis – Goiânia, GO – Pioneira na produção de papel artesanal em Goiânia, utiliza fibras como bananeira, mamona e agave para criar papéis coloridos e texturizados, atendendo tanto o mercado nacional quanto internacional. Canal Rural

Artesãs de Alta Floresta – Alta Floresta, MT – Grupo de mulheres que produzem papel artesanal orgânico utilizando bagaço de cana-de-açúcar, bananeira e folhas diversas, promovendo sustentabilidade e geração de renda local. JornalCana

Hilson e Eliane Rabelo – Macapá, AP – Casal de artesãos que produzem papel artesanal utilizando fibras amazônicas como tururi, miriti e patichuli, valorizando os recursos naturais da região.

Em Belo Horizonte – MG, vale ressaltar um grupo de artesãos com um importante trabalho nessa área: https://www.instagram.com/artesaniadopapel/ – Conheça aqui a história desse grupo: http://artesaniadopapel.blogspot.com/2012/

Se você trabalha na área de papel artesanal, escreva-nos e envie  seu link de contato para que possamos incluí-lo em nossa lista de papeleiros.

 

 

 

O uso da fibra de sisal para papel

A fibra de sisal é uma primeira opção para o artesão iniciar seu aprendizado na produção de papel na técnica japonesa (washi), porque é facílima de encontrar no mercado, sob o nome de fibra de sisal para gesso (ver no google). É de baixo custo e grande rendimento. Pode ser usada para produção de papéis de fibra pura ou então ser introduzida no papel reciclado na cor natural ou tingida, com belos resultados.

A fibra de sisal é uma fibra natural extraída das folhas da planta Agave sisalana, originária do México, mas amplamente cultivada em países tropicais, especialmente no Brasil, que é um dos maiores produtores mundiais.

Características da fibra de sisal:

  • Aparência: Cor amarelo-palha ou bege claro, com textura áspera e aparência rústica.

  • Comprimento: Varia entre 80 e 120 centímetros.

  • Resistência: Alta resistência à tração, o que a torna ideal para uso em cordas e fios.

  • Biodegradável: Por ser uma fibra natural, é totalmente biodegradável e amiga do meio ambiente.

  • Leveza: Comparada a outras fibras naturais, é relativamente leve.

Usos principais:

  • Indústria têxtil: tapetes, carpetes, mantas e tecidos rústicos.

  • Agricultura: cordas, sacos, amarrações e esteiras.

  • Construção civil: reforço de materiais compósitos e uso em painéis ecológicos.

  • Artesanato e decoração: cestos, bolsas, móveis e objetos decorativos.

Vantagens ambientais:

  • Produção sustentável com baixo impacto ambiental.

  • Substitui materiais sintéticos em diversas aplicações.

  • Contribui para o desenvolvimento econômico de regiões semiáridas, onde é comumente cultivada.

Quadro e molde para papel na técnica japonesa

Papeleiros interessados em iniciar a produção de papéis na técnica japonesas, precisam, obrigatoriamente trabalhar com quadro e molde adequados a essa técnica. Neste site é possível a aquisição desse equipamento (chamado sugeta).

https://www.etsy.com/pt/listing/507222944/9-x-12-polegadas-molde-e-molde-para?ls=s&ga_order=most_relevant&ga_search_type=all&ga_view_type=gallery&ga_search_query=sugeta+paper+making+mould&ref=sr_gallery-1-3&content_source=0c093574ed3e7692e0b684cd080989996e0dd537%253A507222944&organic_search_click=1&logging_key=0c093574ed3e7692e0b684cd080989996e0dd537%3A507222944&variation0=1478224420

Sugeta – Conjunto de Moldura e Tela

O sugeta é o conjunto de ferramentas essenciais usadas para formar a folha de papel. Ele é composto por duas partes principais:

Keta – Quadro de Madeira

  • É a moldura externa de madeira que mantém a estrutura do su.

  • Serve como suporte para o su, permitindo o movimento e controle da espessura da folha de papel.

  • Funciona como uma “moldura articulada”, onde o su pode ser levantado e abaixado durante a fabricação.

Su – Tela de Bambu ou Plástico

  • É a tela fina feita de tiras de bambu (ou, mais recentemente, de materiais sintéticos) amarradas com fios.

  • Atua como um filtro, onde as fibras de papel se assentam quando o artesão mergulha o sugeta na tina de polpa.

  • Permite a drenagem da água enquanto retém as fibras, formando uma folha uniforme.


Como é usado no processo de fazer papel (nagashi-zuki)

O processo tradicional com o sugeta segue estas etapas principais:

  1. Preparação da Polpa (Neri + Fibras): Fibras vegetais (como kozo, mitsumata ou gampi) são misturadas com água e um mucilaginoso natural chamado neri, que ajuda na dispersão uniforme.

  2. Imersão do Sugeta: O artesão mergulha o sugeta na tina com a polpa, balançando-o em movimentos ritmados horizontais e verticais (método nagashi-zuki) para distribuir as fibras.

  3. Drenagem e Formação da Folha: A água escorre através do su, e as fibras formam uma folha fina e uniforme sobre a tela.

  4. Transferência da Folha: A folha é cuidadosamente transferida para uma superfície plana (geralmente uma tábua) para secar. Esse método artesanal japonês é valorizado por sua delicadeza, durabilidade e beleza estética, e o washi ainda é usado em arte, caligrafia, conservação de livros e decoração.

O papel Fabriano

O papel Fabriano é um tipo de papel artístico de alta qualidade, fabricado tradicionalmente na cidade de Fabriano, na Itália, com uma história que remonta ao século XIII. Ele é amplamente reconhecido por sua durabilidade, textura refinada e excelente desempenho em diversas técnicas de arte. A seguir, uma descrição detalhada do papel Fabriano:


Características do Papel Fabriano

  • Composição: Feito com fibras de algodão (em porcentagens variadas, podendo chegar a 100% em linhas mais profissionais), o que confere resistência, longevidade e uma superfície ideal para absorver tinta e água.

O papel feito à mão na China (formato grande – Video 1)

Elaine e Sidney Koretsky foram um casal norte-americano notável por suas contribuições ao estudo e preservação da história do papel artesanal.

Elaine Koretsky (1932–2018)

Elaine foi uma pesquisadora, historiadora e artista especializada em papel feito à mão. Formada pela Universidade Cornell, ela iniciou sua carreira como marceneira, exibindo seus móveis na Feira Mundial de Nova York em 1963 e no Smithsonian Institution. Na década de 1970, seu interesse pelo papel artesanal a levou a fundar, em 1974, o Carriage House Paper Studio com sua filha Donna Koretsky. Em 1994, estabeleceu o Research Institute of Paper History and Technology, também conhecido como International Paper Museum, em Brookline, Massachusetts.Carriage House Paper+6paperhistory.org+6paperhistory.org+6Dignity Memorial+6North American Hand Papermakers+6The Kelmscott Bookshop+6

Elaine viajou extensivamente, especialmente pela Ásia, documentando técnicas tradicionais de fabricação de papel em locais remotos. Ela produziu 17 documentários sobre o tema, incluindo “Burmese Festival of Paper Fire-Balloons” e “Sheet Formation Around the World – 1976–2002” . Seu livro “Killing Green: An Account of Hand Papermaking in China” relata suas experiências em vilarejos chineses onde o papel ainda é feito à mão .Carriage House Paper+3The Kelmscott Bookshop+3Carriage House Paper+3Dignity Memorial+2North American Hand Papermakers+2Carriage House Paper+2handpapermaking.org+3Amazon+3Carriage House Paper+3

Sidney Koretsky (1921–2020)

Sidney foi médico por 40 anos em Brookline, Massachusetts, e professor na Tufts University School of Medicine. Após sua aposentadoria em 1997, ele se dedicou à pesquisa da história do papel, colaborando com Elaine em viagens e documentações. Sidney era um fotógrafo e videomaker talentoso, contribuindo significativamente para os filmes produzidos pelo casal .Dignity Memorial+1paperhistory.org+1handpapermaking.org+5paperhistory.org+5Paperslurry+5

Juntos, Elaine e Sidney foram pioneiros na documentação de técnicas tradicionais de fabricação de papel, preservando conhecimentos que poderiam ter sido perdidos com o tempo. Seu trabalho é reconhecido internacionalmente e continua a influenciar estudiosos e artesãos na área de papermaking.