Nessa série de 3 vídeos, a artesã (Emily Legleitner – U-M Stamps School of Art & Design) produz papéis de fibra pura utilizando a técnica japonesa de produção do washi apenas na preparação das fibras. Os utensílios e a manipulação de quadro e molde são diferentes, mas o resultado é um papel de grande beleza e pode ser produzido por papeleiros brasileiros sem dificuldade. Um ponto importante que ela aborda é quando utiliza e fala sobre o agente de ligação. Esse agente, no Japão, é a mucilagem obtida na raiz de uma planta chamada tororo-a-oi. Podemos obter essa mucilagem no Brasil, utilizando o quiabo, que é da mesma família do tororo-a-oi. Existe também o agente de formação sintético que é o óxido de polietileno aniônico (POE), encontrado em fornecedores de produtos químicos. Muitos papeleiros utilizam também o produto chado CMC industrial (carboximetilcelulose), facilmente encontrado no mercado brasileiro. No post “O papel artesanal feito com capim” o papeleiro Cory Morrison mostra como obter essa mucilagem do quiabo, como usá-la e sua função. (Ao rodar os vídeos ative a tradução das legendas).
Washi – O papel japonês feito à mão
O papel washi é um papel tradicional japonês feito à mão, conhecido por sua resistência, leveza e beleza natural. A técnica tem origem há mais de 1.300 anos e é considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2014. O nome “washi” vem de “wa” (japonês) e “shi” (papel), ou seja, “papel japonês”.
Técnica de produção do washi:
A produção do papel washi segue um processo artesanal detalhado, que pode variar levemente entre regiões, mas geralmente inclui os seguintes passos:
Colheita das fibras:
As fibras vegetais usadas vêm de plantas como:
Kōzo (Broussonetia papyrifera, ou amoreira-do-japão)
Mitsumata (Edgeworthia chrysantha)
Gampi (Diplomorpha sikokiana)
Cozimento:
As cascas da planta são retiradas e cozidas em uma solução alcalina (frequentemente com cinzas ou bicarbonato) para amolecer as fibras.
Limpeza das fibras:
Após o cozimento, as fibras são lavadas em água corrente fria e impurezas como cascas e fragmentos escuros são removidas manualmente.
Batida das fibras:
As fibras são batidas com bastões de madeira para se desfazerem em uma polpa fibrosa.
Preparação da polpa:
A polpa é misturada com água e com neri, uma substância viscosa extraída da raiz de uma planta chamada tororo-aoi (Hibiscus manihot). O neri ajuda a suspender uniformemente as fibras na água, facilitando a formação da folha de papel.
Formação da folha:
Com uma forma especial (ver abaixo), o artesão coleta a polpa e a movimenta de forma rítmica para formar uma camada uniforme. Essa etapa é chamada de nagashi-zuki.
Prensagem:
As folhas formadas são empilhadas e prensadas para retirar o excesso de água.
Secagem:
As folhas são coladas sobre tábuas de madeira ou superfícies metálicas e secas ao sol ou em ambientes aquecidos.
Equipamentos utilizados:
Suketa (ou Su and Keta): moldura de bambu com uma tela fina que permite a drenagem da água e formação da folha.
Fun (tanques): grandes tanques de madeira ou metal onde a polpa é misturada com água e neri.
Bastões de madeira (uchibō): usados para bater as fibras.
Prensas manuais: para espremer as folhas recém-formadas.
Placas de madeira ou metal: para a secagem das folhas.
Peneiras tradicionais: feitas com bambu e seda, para manipular a polpa.
Principais regiões produtoras de washi no Japão:
Ogawa e Higashi-Chichibu (Prefeitura de Saitama)
Conhecidos pela produção do Hosokawa-shi, um tipo de washi altamente resistente.
Mino (Prefeitura de Gifu)
Produz o famoso Mino-washi, conhecido por sua leveza e uso em lanternas e portas de papel (shoji).
Echizen (Prefeitura de Fukui)
Uma das mais antigas áreas de produção; conhecida pelo refinado Echizen-washi.
Tosa (Prefeitura de Kōchi)
Especializada em Tosa-washi, papel extremamente fino e translúcido.
Iyo (Prefeitura de Ehime)
Produz o Iyo-washi, utilizado tanto para arte quanto para uso diário.
Essas regiões mantêm vivas as tradições com mestres artesãos que passam os conhecimentos de geração em geração. Hoje, o washi é usado não apenas em caligrafia, pintura e origami, mas também em restaurações, design contemporâneo e produtos de luxo.
O papel washi é um papel tradicional japonês feito à mão, conhecido por sua resistência, leveza e beleza natural. A técnica tem origem há mais de 1.300 anos e é considerada Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO desde 2014. O nome “washi” vem de “wa” (japonês) e “shi” (papel), ou seja, “papel japonês”.
Técnica de produção do washi:
A produção do papel washi segue um processo artesanal detalhado, que pode variar levemente entre regiões, mas geralmente inclui os seguintes passos:
Colheita das fibras:
As fibras vegetais usadas vêm de plantas como:
Kōzo (Broussonetia papyrifera, ou amoreira-do-japão)
Mitsumata (Edgeworthia chrysantha)
Gampi (Diplomorpha sikokiana)
Cozimento:
As cascas da planta são retiradas e cozidas em uma solução alcalina (frequentemente com cinzas ou bicarbonato) para amolecer as fibras.
Limpeza das fibras:
Após o cozimento, as fibras são lavadas em água corrente fria e impurezas como cascas e fragmentos escuros são removidas manualmente.
Batida das fibras:
As fibras são batidas com bastões de madeira para se desfazerem em uma polpa fibrosa.
Preparação da polpa:
A polpa é misturada com água e com neri, uma substância viscosa extraída da raiz de uma planta chamada tororo-aoi (Hibiscus manihot). O neri ajuda a suspender uniformemente as fibras na água, facilitando a formação da folha de papel.
Formação da folha:
Com uma forma especial (ver abaixo), o artesão coleta a polpa e a movimenta de forma rítmica para formar uma camada uniforme. Essa etapa é chamada de nagashi-zuki.
Prensagem:
As folhas formadas são empilhadas e prensadas para retirar o excesso de água.
Secagem:
As folhas são coladas sobre tábuas de madeira ou superfícies metálicas e secas ao sol ou em ambientes aquecidos.
Equipamentos utilizados:
Suketa (ou Su and Keta): moldura de bambu com uma tela fina que permite a drenagem da água e formação da folha.
Fun (tanques): grandes tanques de madeira ou metal onde a polpa é misturada com água e neri.
Bastões de madeira (uchibō): usados para bater as fibras.
Prensas manuais: para espremer as folhas recém-formadas.
Placas de madeira ou metal: para a secagem das folhas.
Peneiras tradicionais: feitas com bambu e seda, para manipular a polpa.
Principais regiões produtoras de washi no Japão:
Ogawa e Higashi-Chichibu (Prefeitura de Saitama)
Conhecidos pela produção do Hosokawa-shi, um tipo de washi altamente resistente.
Mino (Prefeitura de Gifu)
Produz o famoso Mino-washi, conhecido por sua leveza e uso em lanternas e portas de papel (shoji).
Echizen (Prefeitura de Fukui)
Uma das mais antigas áreas de produção; conhecida pelo refinado Echizen-washi.
Tosa (Prefeitura de Kōchi)
Especializada em Tosa-washi, papel extremamente fino e translúcido.
Iyo (Prefeitura de Ehime)
Produz o Iyo-washi, utilizado tanto para arte quanto para uso diário.
Essas regiões mantêm vivas as tradições com mestres artesãos que passam os conhecimentos de geração em geração. Hoje, o washi é usado não apenas em caligrafia, pintura e origami, mas também em restaurações, design contemporâneo e produtos de luxo.