Corantes diretos para reciclagem de papel

Os corantes são substâncias que têm afinidade com determinados materiais (como fibras têxteis) e são classificados de acordo com sua estrutura química, carga elétrica e forma de aplicação. Aqui está a definição dos corantes diretos, aniônicos e catiônicos. Na internet estão disponíveis diversos fornecedores (varejistas) de corantes. Os famosos corantes de roupas Tingecor e Guarany podem ser usados. Cabe aos papeleiros criar suas tabelas de tonalidades, por experimentação. Abaixo, temos uma tabela de referência para consulta dessas tonalidade.


Corantes Diretos

  • Definição: Corantes diretos são aqueles que possuem afinidade natural com fibras celulósicas (como o algodão), podendo ser aplicados diretamente em banho aquoso, sem a necessidade de mordentes.

  • Características:

    • São aniônicos (carga negativa).

    • Possuem boa solubilidade em água.

    • Fixam-se nas fibras por ligações de hidrogênio e forças de Van der Waals.

    • Têm aplicação fácil e baixo custo, mas geralmente apresentam menor solidez à lavagem.


Corantes Aniônicos

  • Definição: Corantes aniônicos são aqueles que, em solução aquosa, ionizam-se liberando íons com carga negativa.

  • Exemplos: Incluem os corantes diretos, ácidos e reativos.

  • Aplicação:

    • Têm afinidade por fibras com carga positiva ou que possam ser tratadas para interagir com ânions, como lã, seda e nylon (no caso dos corantes ácidos).

    • Utilizam-se em meios ácidos ou neutros, dependendo do tipo.


Corantes Catiônicos

  • Definição: Corantes catiônicos são aqueles que, em solução, liberam íons com carga positiva.

  • Também chamados de: Corantes básicos.

  • Características:

    • Têm alta afinidade por fibras com carga negativa, como o acrílico, lã tratada ou fibras sintéticas modificadas.

    • Fixam-se por ligações eletrostáticas (íon-íon) com grupos aniônicos da fibra.

    • Geralmente têm cores intensas e excelente brilho, mas podem ter solidez variável dependendo da fibra e do processo.


Resumo Comparativo:

Tipo de Corante Carga Elétrica Afinidade com Exemplo de Fibras
Direto Aniônica Fibras celulósicas Algodão
Aniônico Aniônica Fibras com carga positiva Lã, seda, algodão
Catiônico (Básico) Catiônica Fibras com carga negativa Acrílico, poliéster modificado
É possível usar corantes no processo de reciclagem de papéis, especialmente quando se deseja tingir papéis reciclados para obter uma coloração uniforme ou para produzir papéis coloridos (como papel cartão, kraft colorido, etc.).

Qual corante usar: aniônico ou catiônico?

A melhor escolha geralmente é o corante catiônico. Aqui está o porquê:


Por que usar corantes catiônicos na reciclagem de papel?

  1. Compatibilidade com a carga da fibra:

    • As fibras de celulose (como as do papel) adquirem carga negativa em meio aquoso.

    • Os corantes catiônicos (com carga positiva) se ligam facilmente a essas fibras por atração eletrostática, promovendo boa fixação.

  2. Menor migração e sangramento:

    • Corantes catiônicos tendem a ficar mais firmemente presos às fibras, reduzindo o risco de soltarem cor posteriormente.

  3. Boa solidez:

    • São mais resistentes à lavagem e ao desbotamento no papel reciclado.


Por que evitar corantes aniônicos?

  • Os corantes aniônicos (como os diretos ou ácidos) têm a mesma carga negativa das fibras de celulose, o que dificulta sua fixação.

  • Podem exigir mordentes ou aditivos para melhorar a aderência, o que complica o processo.

  • Têm maior tendência a migrar para o efluente, causando coloração da água residual (problema ambiental e de tratamento).


Exemplo prático:

Na indústria papeleira, corantes básicos (catiônicos) como o Azul Básico 9 ou Rosa Básico são frequentemente usados para colorir papel reciclado.

Abaixo está um protocolo simples e eficaz para tingimento de papel reciclado com corantes catiônicos, tanto em pequena escala (artesanal) quanto adaptável para processos industriais.

Protocolo de Tingimento de Papel Reciclado com Corantes Catiônicos

Materiais Necessários:

  • Papel reciclado picado (celulose pós-consumo, sem tintas metálicas ou plásticas)

  • Corante catiônico (ex: Azul Básico 9, Rosa Básico, Verde Básico)

  • Água

  • Liquidificador (para papel artesanal)

  • Recipiente ou tina de tingimento

  • Mexedor ou agitador

  • Luvas, máscara e avental (segurança)


Etapas do Processo:

✅ 1. Preparar a Polpa de Papel

  • Pique o papel usado em pedaços pequenos.

  • Deixe de molho em água por algumas horas (ou use direto com água quente).

  • Bata no liquidificador até formar uma polpa homogênea.

✅ 2. Preparar o Banho de Tingimento

  • Em um recipiente, adicione água suficiente para cobrir a polpa.

  • Adicione o corante catiônico diluído previamente (geralmente, 0,1 a 0,5% em relação ao peso seco da fibra – ex: 0,5g para cada 100g de papel seco).

  • Mexa bem até a cor se distribuir uniformemente.

💡 Dica: A concentração pode ser ajustada conforme a tonalidade desejada.

Tingir a Polpa

  • Adicione a polpa de papel ao banho de corante.

  • Misture bem durante 10 a 20 minutos para garantir que todas as fibras fiquem tingidas.

  • Opcional: adicionar sais de amônio ou sulfato de alumínio pode melhorar a fixação (em processos industriais).

Drenar e Formar as Folhas

  • Filtre a polpa tingida com uma peneira (ou forma de papel artesanal).

  • Remova o excesso de água com esponja ou prensa.

  • Seque naturalmente ou em estufa a baixa temperatura.

Resultados Esperados:

  • Papel colorido com boa fixação e resistência à migração de cor.

  • Menor liberação de corante no efluente comparado aos corantes aniônicos.

  • Uniformidade na coloração (dependendo da homogeneidade da polpa).

Cuidados Ambientais

  • Reutilize o banho de corante sempre que possível.

  • Filtre ou trate o efluente antes do descarte, especialmente se usar corante em excesso.

Abaixo está uma tabela prática com receitas de tingimento para papel reciclado artesanal ou industrial, usando corantes catiônicos. As proporções são baseadas em 100 g de papel seco (aproximadamente 300–500 g de polpa úmida).

Tabela de Receitas de Tingimento com Corantes Catiônicos

Cor Desejada Corante Catiônico Sugerido Dosagem (g/100g papel seco) Resultado Esperado
Azul Pastel Azul Básico 9 0,1 – 0,2 g Azul claro, suave
Azul Médio Azul Básico 9 0,3 – 0,5 g Azul padrão (tipo jeans claro)
Azul Intenso Azul Básico 9 0,8 – 1,2 g Azul profundo, escuro
Rosa Pastel Rosa Básico (Basic Rhodamine) 0,1 – 0,2 g Rosa claro delicado
Rosa Vivo Rosa Básico 0,5 – 0,8 g Rosa forte, vibrante
Verde Médio Verde Básico 0,3 – 0,6 g Verde folha
Amarelo Claro Amarelo Básico 1 0,1 – 0,3 g Amarelo suave (canário)
Laranja Laranja Básico 0,5 – 0,7 g Laranja vivo
Cinza Azul Básico 9 + Preto Básico 0,2 g + 0,3 g Cinza neutro, elegante

Notas Importantes:

  • Diluição: Dissolva o corante em um pouco de água antes de adicionar à polpa para evitar manchas.

  • Mistura de cores: Você pode misturar corantes catiônicos entre si para obter novos tons (ex: azul + amarelo = verde).

  • Ajuste fino: Sempre teste em pequena quantidade antes de tingir um lote grande.

  • Segurança: Use EPI (luvas, máscara, óculos) e manuseie os corantes com cuidado.

Abaixo está um modelo de ficha técnica personalizável para tingimento de papel reciclado com corantes catiônicos. Essa ficha é útil tanto para produção artesanal padronizada quanto para uso em pequena indústria ou cooperativas de reciclagem.

Ficha Técnica – Tingimento de Papel Reciclado com Corantes Catiônicos


Informações Básicas

  • Produto final: Papel reciclado tingido

  • Tipo de corante: Catiônico (básico)

  • Aplicação: Direta na polpa de papel

  • Base seca: 100 g de papel seco (pode ajustar conforme a escala)

Parâmetros do Processo

Etapa Detalhes
Preparação da polpa Papel picado e batido com água até formar polpa homogênea.
Proporção de água 10:1 (água:peso seco do papel)
Tipo de corante Catiônico (ex: Azul Básico 9, Rosa Básico, Verde Básico)
Dosagem de corante Ex: 0,3 g para tons médios (ver tabela anterior)
pH do meio Neutro a levemente ácido (pH 6–7 é ideal)
Tempo de tingimento 15–20 minutos com agitação constante
Temperatura Ambiente (25–35 °C)
Aditivos (opcional) Sulfato de alumínio (0,2–0,5%) para melhorar fixação

Pós-Tratamento

  • Filtrar o excesso de corante da água

  • Prensar e secar as folhas de papel

  • Verificar uniformidade e solidez da cor

Observações Finais

  • Reaproveitar banho de tingimento sempre que possível.

  • Controlar a liberação de corante no efluente.

  • Armazenar corantes em local seco, fresco e ventilado.

Papiro – O papel dos faraós ainda vive

O papiro foi um dos primeiros materiais utilizados para a escrita na história da humanidade. Originado no Egito Antigo, teve um papel fundamental no registro de informações administrativas, religiosas e literárias, especialmente durante o período dos faraós. A seguir, descrevo o papel do papiro e seu processo de fabricação tanto na época dos faraós quanto na atualidade:


Na época dos faraós (Egito Antigo)

Papel do papiro:

  • Meio principal de escrita: Utilizado para documentos oficiais, textos religiosos (como o “Livro dos Mortos”), registros administrativos e obras literárias.

  • Símbolo de conhecimento e poder: O uso do papiro estava associado à elite letrada, como escribas e sacerdotes.

  • Comércio e diplomacia: O papiro egípcio era exportado para outras regiões do mundo antigo, como Grécia e Roma.

Processo de fabricação:

  1. Colheita: Usava-se o caule da planta do papiro (Cyperus papyrus), que crescia em abundância nas margens do rio Nilo.

  2. Corte em tiras: O caule era cortado em tiras longitudinais finas.

  3. Montagem: As tiras eram dispostas lado a lado na horizontal e outra camada na vertical por cima, formando uma espécie de trama.

  4. Prensagem: A estrutura era pressionada para extrair a seiva natural da planta, que funcionava como um adesivo.

  5. Secagem e polimento: Após a secagem ao sol, o papiro era polido com pedras ou conchas para obter uma superfície lisa.


Na atualidade

Papel do papiro:

  • Uso decorativo e cultural: Hoje é utilizado principalmente como artigo decorativo, souvenir e em demonstrações educacionais sobre a história do Egito.

  • Artesanato e turismo: É produzido em oficinas e vendido como lembrança em mercados e locais turísticos no Egito.

Processo de fabricação atual:

  • O processo é muito semelhante ao antigo, preservado como tradição artesanal.

  • Algumas adaptações modernas podem incluir o uso de prensas mecânicas e ferramentas para polimento mais precisas.

  • A planta Cyperus papyrus é cultivada em locais específicos para esse fim, mesmo fora do Egito, como na Itália.

O papel Amate (México)

COMO FAZER PAPEL AMATE ARTESANAL

Materiais necessários:

Casca interna de árvore (de preferência figueira (Ficus) ou jonote (Heliocarpus); pode-se substituir por outras fibras naturais, como amoreira ou bananeira em versões adaptadas)

Água

Cinzas de madeira ou cal (hidróxido de cálcio) – para ferver a casca

Pedra ou martelo de madeira (pilão)

Tábua de madeira ou superfície plana

Panos ou tecidos para secagem

Sol


Passo a passo:

Colheita e preparo da casca

Retire a casca interna da árvore com cuidado (a parte fibrosa e macia, não a casca externa). Lave bem para remover sujeiras.

Cozimento das fibras

Ferva a casca por 1 a 2 horas em água com cinzas de madeira ou cal. Isso ajuda a amolecer as fibras e a remover a lignina. Após o cozimento, enxágue bem para retirar o excesso de alcalinidade.

Disposição das fibras

Coloque as fibras úmidas sobre uma superfície de madeira formando uma trama (como se estivesse “tecendo” com as tiras). Sobreponha as tiras na horizontal e vertical até cobrir o espaço desejado.

Maceração (bater as fibras)

Com uma pedra polida ou martelo de madeira, bata cuidadosamente as fibras até que elas se unam e formem uma folha plana. A batida libera o suco natural das fibras, que ajuda a colá-las entre si.

Secagem

Deixe o papel secar naturalmente ao sol por algumas horas ou até ficar totalmente seco e rígido. Não remova o papel da tábua até que esteja completamente seco.


Resultado final:

Você terá uma folha rústica, resistente, com textura natural. O papel pode variar em cor (do bege ao marrom) dependendo da árvore usada. Ele pode ser usado como suporte para pintura, colagem, artesanato ou decoração.


Dica cultural:

Os artistas nahuas do estado de Puebla (especialmente da região de San Pablito, Pahuatlán) fazem lindas pinturas com tinta natural e temas da natureza, mitologia e vida cotidiana indígena sobre papel amate.

Outros links para o papel Amate: Amate papermaking with the Otomi Indians (2001) Run time: 4:18 minutes – YouTube

Making Amate Paper – YouTube

Magia Vegetal – Papel Amate – YouTube

Papeleiros no Brasil

No Brasil, existem poucos artesãos dedicados à prática da produção de papel artesanal, entre os quais se destacam os que conseguimos, através de uma pesquisa, as oficinas da listagem abaixo. Prestigiem, visitando e conhecendo seus trabalhos.

Schöpf Papier – Rio de Janeiro, RJ – Especializada na produção de papel reciclado artesanal, a Schöpf Papier utiliza resíduos de papel para criar produtos sustentáveis, promovendo impacto social e ambiental positivo. Schöpf Papier

Arumã Brasil – São Paulo, SP – Produz papel reciclado artesanalmente a partir de materiais como sulfite, revistas e embalagens, além de oferecer produtos como papel semente e lápis semente, incentivando o contato com a natureza. Arumã Brasil

Moinho Brasil – São Paulo, SP – Desde 1985, a Moinho Brasil fabrica papéis artesanais a partir de resíduos de papel e fibras vegetais, como bananeira e cana-de-açúcar, com foco em sustentabilidade e design brasileiro. Moinho Brasil

Papel do Quintal – Boiçucanga, SP – Ateliê que produz papel artesanal com fibras naturais da Mata Atlântica, como bananeira e helicônia, utilizando apenas rejeitos e podas de jardins, respeitando o ciclo natural das espécies. papel-do-quintal

Papel Semente – São Paulo, SP – Empresa B certificada que fabrica papel artesanal plantável, incorporando sementes de flores e hortaliças, permitindo que o papel, após o uso, possa ser plantado e se transforme em plantas. Papel Semente

Armazém das Oficinas – Campinas, SP – Projeto social que envolve cerca de 20 artesãos na produção de papel artesanal reciclado, flores e acessórios exclusivos, promovendo inclusão social e geração de renda. Armazem das Oficinas

Miriam Pires Papéis – Goiânia, GO – Pioneira na produção de papel artesanal em Goiânia, utiliza fibras como bananeira, mamona e agave para criar papéis coloridos e texturizados, atendendo tanto o mercado nacional quanto internacional. Canal Rural

Artesãs de Alta Floresta – Alta Floresta, MT – Grupo de mulheres que produzem papel artesanal orgânico utilizando bagaço de cana-de-açúcar, bananeira e folhas diversas, promovendo sustentabilidade e geração de renda local. JornalCana

Hilson e Eliane Rabelo – Macapá, AP – Casal de artesãos que produzem papel artesanal utilizando fibras amazônicas como tururi, miriti e patichuli, valorizando os recursos naturais da região.

Em Belo Horizonte – MG, vale ressaltar um grupo de artesãos com um importante trabalho nessa área: https://www.instagram.com/artesaniadopapel/ – Conheça aqui a história desse grupo: http://artesaniadopapel.blogspot.com/2012/

Se você trabalha na área de papel artesanal, escreva-nos e envie  seu link de contato para que possamos incluí-lo em nossa lista de papeleiros.

 

 

 

O uso da fibra de sisal para papel

A fibra de sisal é uma primeira opção para o artesão iniciar seu aprendizado na produção de papel na técnica japonesa (washi), porque é facílima de encontrar no mercado, sob o nome de fibra de sisal para gesso (ver no google). É de baixo custo e grande rendimento. Pode ser usada para produção de papéis de fibra pura ou então ser introduzida no papel reciclado na cor natural ou tingida, com belos resultados.

A fibra de sisal é uma fibra natural extraída das folhas da planta Agave sisalana, originária do México, mas amplamente cultivada em países tropicais, especialmente no Brasil, que é um dos maiores produtores mundiais.

Características da fibra de sisal:

  • Aparência: Cor amarelo-palha ou bege claro, com textura áspera e aparência rústica.

  • Comprimento: Varia entre 80 e 120 centímetros.

  • Resistência: Alta resistência à tração, o que a torna ideal para uso em cordas e fios.

  • Biodegradável: Por ser uma fibra natural, é totalmente biodegradável e amiga do meio ambiente.

  • Leveza: Comparada a outras fibras naturais, é relativamente leve.

Usos principais:

  • Indústria têxtil: tapetes, carpetes, mantas e tecidos rústicos.

  • Agricultura: cordas, sacos, amarrações e esteiras.

  • Construção civil: reforço de materiais compósitos e uso em painéis ecológicos.

  • Artesanato e decoração: cestos, bolsas, móveis e objetos decorativos.

Vantagens ambientais:

  • Produção sustentável com baixo impacto ambiental.

  • Substitui materiais sintéticos em diversas aplicações.

  • Contribui para o desenvolvimento econômico de regiões semiáridas, onde é comumente cultivada.

Quadro e molde para papel na técnica japonesa

Papeleiros interessados em iniciar a produção de papéis na técnica japonesas, precisam, obrigatoriamente trabalhar com quadro e molde adequados a essa técnica. Neste site é possível a aquisição desse equipamento (chamado sugeta).

https://www.etsy.com/pt/listing/507222944/9-x-12-polegadas-molde-e-molde-para?ls=s&ga_order=most_relevant&ga_search_type=all&ga_view_type=gallery&ga_search_query=sugeta+paper+making+mould&ref=sr_gallery-1-3&content_source=0c093574ed3e7692e0b684cd080989996e0dd537%253A507222944&organic_search_click=1&logging_key=0c093574ed3e7692e0b684cd080989996e0dd537%3A507222944&variation0=1478224420

Sugeta – Conjunto de Moldura e Tela

O sugeta é o conjunto de ferramentas essenciais usadas para formar a folha de papel. Ele é composto por duas partes principais:

Keta – Quadro de Madeira

  • É a moldura externa de madeira que mantém a estrutura do su.

  • Serve como suporte para o su, permitindo o movimento e controle da espessura da folha de papel.

  • Funciona como uma “moldura articulada”, onde o su pode ser levantado e abaixado durante a fabricação.

Su – Tela de Bambu ou Plástico

  • É a tela fina feita de tiras de bambu (ou, mais recentemente, de materiais sintéticos) amarradas com fios.

  • Atua como um filtro, onde as fibras de papel se assentam quando o artesão mergulha o sugeta na tina de polpa.

  • Permite a drenagem da água enquanto retém as fibras, formando uma folha uniforme.


Como é usado no processo de fazer papel (nagashi-zuki)

O processo tradicional com o sugeta segue estas etapas principais:

  1. Preparação da Polpa (Neri + Fibras): Fibras vegetais (como kozo, mitsumata ou gampi) são misturadas com água e um mucilaginoso natural chamado neri, que ajuda na dispersão uniforme.

  2. Imersão do Sugeta: O artesão mergulha o sugeta na tina com a polpa, balançando-o em movimentos ritmados horizontais e verticais (método nagashi-zuki) para distribuir as fibras.

  3. Drenagem e Formação da Folha: A água escorre através do su, e as fibras formam uma folha fina e uniforme sobre a tela.

  4. Transferência da Folha: A folha é cuidadosamente transferida para uma superfície plana (geralmente uma tábua) para secar. Esse método artesanal japonês é valorizado por sua delicadeza, durabilidade e beleza estética, e o washi ainda é usado em arte, caligrafia, conservação de livros e decoração.